LICORES
humor
VISITE NOSSA LOJA

Sou um aficcionado por licores. Eles me agradam em todos os sentidos, todos os cinco quero dizer. O contato do líquido meio viscoso com a boca provoca sensações fantásticas. Já o visual das garrafas cheias, suas formas perfeitas e coloridas, somado ao aroma emitido ao serem destampadas, é indescritível. Em relação à audição... à audição... o silêncio profundo provocado ao encher-se os copos próprios para licores é sublime! Que suavidade, que silêncio.  
Deixei propositadamente para último o sabor, pois minha opinião é óbvia, senão nem me ocuparia em ter licores como tema. Mas estou interessado mesmo é em discorrer sobre as
condições sob as quais os licores devem ser tomados, sorvidos. Para se tomar licor, determinado licor, deve haver um clima para cada sabor ou marca.  
De menta, por exemplo, classifico como licor político; não
dos políticos, pois todos conhecem a fama do tal Poire. Licor político porque, tanto faz — verão, inverno, meia estação, meia estação fria, meia estação quente, assim como direita, esquerda, centro, centro direita ou centro esquerda (que coisa terrível...) — ele está sempre nas bocas (gostaram desse duplo sentido?).  
No verão, licor de menta é o ideal, com aquele gosto "geladinho" e, no inverno, se ele não melhora a dor de garganta, pelo menos dá a impressão que melhora. Nestas condições, menta é imbatível.  
Cointreau e
Cherry Brandy
estão juntos, não sei porque, mas sempre que penso em um deles me vêm os dois à cabeça. Cointreau é para ser tomado naquelas viagens de ida. Nós, de terno e gravata procurando "dar aparência"... é ... um licorzinho, após a refeição a bordo, vai bem. — Aeromoça, um Cointreau, por favor! Já o Cherry é para as viagens de volta. Colarinho aberto, nó da gravata afrouxado, terno meio amarrotado de muitas reuniões e nós cansados — Um Cherry, por gentileza! Assim, sempre que estou arrumado (bem arrumado) para sair, tomo uns goles de Cointreau e na volta, bem, é a vez do Cherry.  
Domingo, quatro horas, quatro e meia da tarde, daqui a pouco vai ter futebol na TV. Flamengo joga, grande expectativa para vencer, inclusive o tédio dominical. Para acordarmos daquele sono safado após o almoço um licor achocolatado pega bem, não? Só pode ser achocolatado!
Agora, final de tarde, estamos num bar com um amigo, avaliando criativamente possibilidade de novos negócios. Terras no Piauí — é, pode dar soja, ou quem sabe um vídeo clube no bairro? Tanto faz, o importante é a situação, novas possibilidades, novas perspectivas — Garçom, traz um Amaretto com gêlo!  
Nos dias em que estamos assim-assim, meio atravessados com a vida, não inteiramente, apenas "meio"; naquela de bom e ruim. O sono da tarde foi legal, mas deixou uma dor nas costas...E, vamos lá, licor de café. Parece chocolate, mas não é. Parece gostoso, mas não é, parece ruim, mas também não é! Ele é assim, assim, meio esquisito, exatamente como estamos nos sentindo.  
Num sábado, após um futebol soçaite, muita cerveja e churrasco, o pessoal esgotado conversando na varanda do sítio, bebericando um uísque (do bom)... que tal um Drambui? Legal! Ou ganhamos uma disposição adicional para algumas brincadeiras de final de tarde ou apagamos de vez e só descemos para o Rio no dia seguinte!  
Se no sábado em que está previsto o programa acima estiver chovendo e fazendo um friozinho gostoso, "no ponto", a opção é ficar em casa curtindo os livros, na poltrona gostosa ou  na cama mesmo, música ambiental, aguardando a visita "dela", com um Locanora comprado no free shop por ocasião da última viagem ao exterior.  
Já a comemoração de um evento não pode deixar de ser feita com licor de amêndoas, que tem aquele sabor cheio, presente! Sabor este que fica mais intenso se o motivo for a entrada de dinheiro.  
Deixo para vocês finalizarem acrescentando suas vivências
e reflexões sobre outros tantos sabores não citados como de ovos, tangerina, framboesa etc. Peguem seus cálices e, mãos à obra! Como? Para escrever? Não, não! Não bebo! É verdade, nada, nada, cara limpa. Como? Não, nem licor.
Essas últimas "palavras" arranharam a garganta, é o inverno chegando. Termino por aqui. Menta, por favor!